sábado, 1 de julho de 2023

Ah, Clarice, Clarice, Clarice...

 Você foi tão mais do que somente uma escritora brilhante, Clarice. Você era intensa e misteriosa, mas cheia de amigos e mãe amorosa. Teve casos e teve amores, dos mais sérios e dos doces. Teve admiradores. Você sofreu, Clarice. Você foi dominada por sua escrita, e só para ela abaixou a cabeça, acho.
Que o mundo não te esqueça Clarice, corajosa autora do conto/reflexão O Ovo e a Galinha, o conto que você nunca entendeu. Mas era seu.







Você e Carolina Maria de Jesus

Você e Fernando Sabino






Quis colocar aqui fotos diferentes de você, em ambientes descontraídos e entre pessoas que te amavam. Ah, que altivez maravilhosa. Sei que você foi feliz, teve amigos e sentiu de verdade. Há quem te veja melancólica, bipolar, gente que nunca falou com você e que acha que a tua versão pré-morte era a mesma Clarice mãe, amiga, pessoa.

Talvez seja porque você pré-morte era você escritora; mas isso se deve a você ser você escritora sempre. Você nasceu você escritora, e isso é inalienável seu. <3



terça-feira, 23 de maio de 2023

Nope

 Eu nunca estive lá. Nem aí. Sempre aqui. Todos vinham, mas de repente eu já não estava. Pode me procurar nas fotos. Você nunca vai me achar.

Eu já fui. Eu ia. Costumava ir. Sempre que eu ia, em algum momento,  já não estava mais, mesmo estando. Pode procurar nas fotos. Você nunca vai me achar.

Você veio. Você esteve aqui. Você está aqui.
Eu, já não estou mais. É como se nunca estivesse estado.

Nós não somos. Nós não somos nada. Nós estamos transitoriamente, mas nós não somos, nem nunca seremos. Nunca fomos.

Pode me procurar nas fotos. Você vai me achar. No fundo, na paisagem, atrás. Nas fotos que eu tirei. Já me acostumei a não ser memória de ninguém. Não faz diferença.

Eu não vou mais. Não venha. Eu estou agora, mas só eu. Ninguém mais. Eu não quero.

Na verdade, eu vou. Mas não vou para qualquer lugar. Não me siga. Como se eu precisasse pedir.

domingo, 21 de maio de 2023

 No futuro

O passado será óbvio

Toda desgraça e traição

Tão evidentes

O peso da alegria e da dor

Sempre serão

Diferentes

Porque não há

Nenhuma forma de intento 

No tempo

No futuro

Esse presente tão instável

Será visto como algo

Inevitável

Fará tanto sentido

Que aquele seu amigo

Fosse um imprestável

Você será sempre lembrado

Como o trouxa errado

Pois o futuro

Ao passado pertence

Porque não há

Nenhuma forma de intento

No tempo

No futuro

Esse presente tão instável

Será visto como algo

Inevitável

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Caralho, eu tenho um terreninho gratuito na internet!

É isso amados e amadas, é 2022 e eu achei meu velho terreninho no coração da internet, que serve exatamente para os meus propósitos. Incrível, sou membra desde 2008. Essa porra deveria valer alguma coisa. Um espacinho que eu tive, eu tinha, e eu tenho novamente. DAQUI PRA FRENTE É DOMINAR O MUNDO, QUERIDINHXS.


Só não vale dinheiro. Mas vale todo o resto.


E eu não sou mais a mesma há uns pares de anos.

"Man, I ain't  changed, but I know I ain't the same."


Vou começar postando essa música e a letra. Segue quem quer, e isso é lindo demais.


The Wallflowers - One Headlight


Letra

domingo, 21 de março de 2010

Out Time, Our Town

It's our time, our town
You can hear our laughter, beers all around
We just want to party, have fun over night
Until it all ends with the Sun shining bright

It's our town, our time
Where we gain lots of youth, when we spend all our dimes
We don't mess with no one, don't you dare mess with us
'Cause you don't want to see our kind of fuss

It's our damn town, everything's ours
From the bridge to the school
And when heavy rain pours

And it's our bloody time
From midnight to forever
When we laugh and we drink altogether

terça-feira, 16 de março de 2010

Skedaddle!

Life is telling me: skedaddle!
Skedaddle girl, skedaddle!
This life is too tight for you, you're not fitting here
Skedaddle!

Yeah, you're surrounded
And it's taking your youth away
Skedaddle doll, skedaddle
'Cause maybe you won't live one more day

What you're waiting for, darling?
Shut the nostrils and dive
You'll find it all down there
Booze, time... space, jive!

Skedaddle Silly! Skedaddle now!
Go and embrace what you fear
Skedaddle gorgeous
Get the hell outta here!

This tiny box, this old gal's life
Those aren't for you, not anymore
You're getting upset, you're loosing your battle
Skedaddle honey, skedaddle!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A Criação - Parte I

- Sabe, eu tava pensando...
- Hum?
- O que é que faz...
- Ah não, não mais uma piada daquelas "o que é , o que é", que a minha paciência já deu e...
- Não cabra, tô falando de outra coisa.
- Ah tá. Hum?
- Então, o que é que faz a gente acordar e tal?
- ... a falta de sono. Acabou, acorda. Não é assim com todo mundo?
- ... às vezes, falar com você me irrita. Pensa, critatura.
- Hum. Não sei.
- O que é que dá a vida, e também tira depois de um tempo? O que é que faz o vento soprar? O que é que move as marés? O que faz as árvores crescerem e tal?
- Ah... a vida. Não é?
- Não sei. Não te parece que o mundo é tão perfeito que alguém o criou?
- ... acho que não. Tem que ser muito cabra macho pra criar tudo isso.
- Mas você não acredita que alguém tenha sido cabra macho o suficiente?
- Não.
- Não?
- Não.
- Por que não?
- Porque não, ué.
- Mas todas as coisas são criadas por alguém.
- E quem você sugere que tenha criado todas as coisas?
- Eu não sei, é por isso que estou te perguntando.
- Você não pode simplesmente comer o seu prato de feijão e acabou? Tem que saber quem fez o feijão também?
- Não, quem fez o feijão foi você.
- Às vezes, falar com você me irrita.
- ...
- Mas tá bom, o que você quer dizer? Qual o nome que você daria pro cabra que fez tudo?
- Hum. Deusodato.
- Deusodato? Mas que nome feio da porra! Se você falar pras pessoas que foi um cara chamado Deusodato que criou tudo, ninguém vai acreditar em você.
- Quer dizer que eu posso fazer as pessoas acreditarem nisso?
- Você pode andar livremente, comer feijão e fazer perguntas idiotas durante o almoço?
- Sim.
- Então você também pode tentar convencer as pessoas de que alguém criou tudo.
- Eu não tinha pensado nisso.
- Claro que não, você está muito ocupado tentando descobrir quem faz você acordar todos os dias.
- Você acredita nisso?
- Não.
- Posso tentar te convencer?
- Não.
- Por quê?
- Porque você já sabe que eu não concordo com isso.
- Mas os outros eu não sei, então eu posso tentar convencê-los.
- O que você ganha com isso?
- Seguidores.
- Você quer seguidores?
- Seria legal.
- Então inventa o Twitter.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Relevância?

Hoje me peguei procurando por parquinhos de diversão, desses simples. Sim, continuo assistindo "Carnivale", o que só aumenta meu desejo por um parquinho que tenha montanha russa, carrossel, carrinho de bate-bate, tiro ao alvo com espingarda de rolha, barraca de maçã do amor e algodão doce, talvez até uma roda-gigante! Mas me deparei com a triste realidade de que, parque de diversão em São Paulo, só se forem o Playcenter e o Hopi-Hari.
Sinto falta dos parques de diversões em que você não precisa pagar para entrar, paga na bilheteria para utilizar os serviços do parque e pronto, acabou, divirta-se. Não desisto facilmente e continuei a bravata, só para descobrir que NÃO EXISTEM MAIS PARQUES DE DIVERSÃO.
Claro, se eu for à praia vou encontrar um parque que atenda aos meus requisitos, mas para isso terei de ir à praia, o que não é uma má idéia, mas eu queria tanto encontrar um ao qual eu pudesse ir quando me dá na telha... eu trabalho, sabem?
Fliperamas? Puxa, essa palavra nem existe mais no vocabulário. Agora é Playland. Com a porra do Rad Mobile de sempre, as máquinas decadentes de caçar  bichos de pelúcia que eu posso comprar por um real no Largo da Batata.
Daí parei para pensar que esses parques existiam quando eu era criança sim, mas eles foram engolidos pela massa cinzenta de shopping centers da cidade, é onde eles estão agora. Nada de roda gigante a céu aberto (não, eu não quero ir ao Playcenter), nada de cores e luzes. Tudo dentro de um bloco de concreto. E meus preciosos fliperamas viraram ponto de tráfico no centro da cidade. Os únicos.

Minhas fadas morreram. A modernidade tirou uma porrada de entretenimentos simples que antes eram comuns. A tal praticidade e etc. O estacionamento para mais de três mil carros. As lojas de departamento, cada vez mais artificiais e falsetas.
Eu detesto shopping. Já odiava o cheiro de escada rolante que eles emanam, esse cheiro horroroso de lugar fechado e higienizado sistematicamente para iludir a multidão porca de que se trata de um lugar aprovado pela vigilância sanitária.
Eu sei, eu sei, menina romântica, o mundo não tem mais lugar para esses desejos simplórios. Se quiser ver alguma coisa rolante, será a escada do shopping mesmo, ou a porta giratória do banco (IUPII!!).

Minhas fadas morreram. UMA MACA, PELOAMORDEDEUS UMA MACA PARA MINHAS FADAS, TALVEZ ATÉ UM LANÇA PERFUME???

Tá, já deu. Vou encher a cara que eu ganho mais.

 
Ai,ai...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Equilíbrio Alcançado

É só andar pra frente. Não é difícil. Primeiro o esquerdo, depois o direito e assim vai. Há quem diga que não dá, mas esses estão muito ocupados olhando pra trás.
Olhar pra frente é fundamental.

Pra você, que gosta de sair andando e alcançar o equilíbrio:

 
"Eu achei isso..."

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Paranóias da Psiquiatria

Querer fazer as coisas certo e acabar fazendo errado, de tanto se esforçar.
Querer ser honesta e só se meter em enrosco por isso.
Querer fazer só o bem, querer só ver a felicidade estampada no rosto e justamente por isso causar muita dor.
Querer ser justa, querer ser mais de uma, querer ser uma pra tudo, querer ganhar do tempo (pilhéria, né?), querer, querer, querer... quais são os fins?

Quero dizer, é uma tamanha ânsia de fazer direito e não ser vilã que acaba se esquecendo de ser humana. E ser humana inclue magoar os outros por egoísmo.
Explico: egoísmo não é necessariamente algo tão ruim assim. Afinal de contas, sem egoísmo nos deixamos pra trás pelos outros. E isso tampouco é saudável.
E tem o egoísmo de fazer tão bem pros outros. Sim, sim. Porque fazendo tanto para felicitar e tornar os outros alegres o tempo todo o egoísta em questão está ganhando reputação, respeito, amor, consideração. Esse é o vício do egoísta altruista. Existe isso?

Mas e quando essa postura precisa chegar ao final? Digo, quando é que acaba essa responsabilidade de fazer os outros felizes? Porque é claro que acaba, isso esgota, querer agradar aos outros. Esse egoísmo altruista precisa acabar pra que o outro egoísmo entre. O egoísmo egoísta. O egoísmo que faz as pessoas ficarem totalmente aborrecidas, pensando que o egoísta é um monstro individualista, que não divide e não se interessa por nada que não ele mesmo.

Como fazer para equilibrar os egoísmos? Porque não dá pra viver sem nenhum dos dois. E também é tremendamente perigoso ser pego por apenas um.
Onde está o meio termo, Lilos? Como você vai fazer para chegar lá?

E quando entra amor na parada? Daí esculhamba tudo, porque dentro do coração de um egoísta também bate um coração (egoísta?). O que fazer quando um egoísta ama demais?

Papo de louco, esse.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Em Tempo Real

Em três anos minha vida mudou radicalmente. Com apenas minhas bolas imaginárias nas mãos eu mudei tudo quatro vezes - inclusive de endereço. Poucas mentes, poucos mundos resistem a essa freqüência de adaptações e readaptações.
Não foi caso do meu mundo, pelo menos. EU mudei muito nesses três anos.

Vamos escutar um jazz que tudo passa, amigos. Jazz e narguile, é tudo que um ser mundano precisa. Tá, jazz, narguile e uma boa cerveja.
Se pá um jóinte.

Pálpebras Infinitas

As pálpebras infinitas são cor-de-laranja... as minhas são.
Elas têm vasinhos de vez em quando. Vasinhos vermelhos.
Minhas pálpebras infinitas, cor-de-laranja e com vasinhos vermelhos. Tão grandes em profundidade, meu único espaço, meu verdadeiro quarto, é tudo que vejo. São quentinhas no inverno e um bálsamo no verão. Meu mundo simplório, minha real companhia nas horas da solitude. Que levem minha moral, mas não levem minhas pálpebras...